cozinha – MESA – encontro

NÃO podemos ser ingênuos ou distraídos frente a possibilidade de estarmos sendo lentamente envenenados pela indústria alimentícia que, fortemente comprometida com o sistema produtivo visa, acima de tudo, o lucro: as doenças proliferam, e surgem mais farmácias do que postos de atendimentos.

Nosso melhor investimento, é viver com saúde. Por este motivo, é saudável consumir sempre que possível alimentos orgânicos. E neste sentido, saliento que a maioria dos produtos aqui relacionados obedecem a este critério de escolha pelo cuidado que, em primeiro lugar, devemos ter com a nossa vida.  

COZINHAR É UM ATO ESSENCIAL DE CRIATIVIDADE, GENEROSIDADE E AMOR

Comida saudável no dia a dia: não me interessa pensar em comida apenas pelo sabor restrito do paladar. Quero conceber o alimento como fonte de equilíbrio e cultivar o bem estar físico e espiritual. Por ter sido macrobiótico radical, me nego a seguir a cozinha vulgar convencional. Eliminei frituras, utilizo o mínimo de óleo, evito ao máximo sal e açúcar branco, farinhas refinadas, carnes, gorduras e produtos industrializados. Priorizo alimentos orgânicos, consumo fibras das verduras, dos legumes e dos cereais. Sou grato às receitas caseiras, e como princípio fundamental não abandono o caderno de anotações de Lyette, minha mãe que me ensinou o “feijão com arroz”. Com ela aprendi a definir o PONTO final de cada comida, a fazer OVO FRITO, OMELETE, ARROZ, FEIJÃO, MOLHO; MASSAS, CARNES, PEIXES; CALDOS, SOPAS, MINGAUS; PÃO, BISCOITOS etc.  E foi ela que me mostrou sabedoria em ser simples, o hábito cuidadoso de não comer pelas ruas, e me fez aprender para sempre o definitivo e grandioso prazer de estar na cozinha.

O TEMPO QUE VOA – a vida passa

Quase todos nós já percebemos que em determinados dias as horas passam com tanta rapidez que quando tomamos consciência, a noite chegou e logo temos de dormir novamente. A cada dia que passa, o tempo diminui. E se não agimos com direção e objetividade, a vida toda passa e deixamos de realizar o que é essencial para a expansão de de nossa consciência e melhoria de nossa existência. E a vida passou para muitos que não se aprimoraram como pessoa. E, sem a autorrealização, ficamos entediados, esquecidos no vazio da tristeza e infelizes para sempre.

O ELO PERDIDO DOS ENCONTROS

“Todo comer é um rito. Não se trata apenas de nutrir – se, mas de comer juntos, ocupar certos lugares na roda, …, e junto com os alimentos, intercambiar também sentimentos e ideias.” Leonardo Boff

No mundo atual, as pessoas já não tem tempo para conversar, para trocar ideias. Não compartilhamos mais a vida em relações. As crianças já não brincam mais de roda, as ruas não permitem o convívio afetuoso pois tornaram-se pistas de automóveis e as cidades não oferecem segurança. Quase não temos mais aqueles momentos que eram tão comuns no interior das casas. Não nos reunimos mais à frente das casas, e tampouco em torno da mesa da cozinha.

O TACACÁ, presente em várias esquinas das ruas de Manaus, é de raiz indígena. De natureza coletiva, por sua origem tribal, tem o poder atraente encantador de reunir pessoas em torno da mesa que, de cuias nas mãos, compartilham a conversa enquanto saboreiam o caloroso alimento.

Tem cheiro, calor, textura e sabor maravilhosos, é nutritivo e energético.

Seus ingredientes são: TUCUPI, GOMA, JAMBU, CAMARÃO SECO; PIMENTA (à gosto).

O TACACÁ é uma iguaria de origem indígena, servido fartamente nas esquinas de Manaus em cuias apropriadas para este fim.

MINGAU DA CARIDADE 

Alimento muito utilizado na Amazônia para restaurar energias perdidas. Usado como remédio caseiro desde os séculos passados quando o indivíduo se encontrava abatido por forte gripe febre dores, indisposição geral e sem vontade de comer.

Ingredientes: água, farinha de mandioca; alho, manteiga, sal e pimenta. Modo de fazer: refogar rapidamente o alho na manteiga; adicionar a farinha já diluída na água; mexer e completar com sal e pimenta: servir quente ao deitar. Obs: a pimenta não é opcional, pois completa a receita por sua propriedade essencial;

TAPIOCA

Tem a forma da panqueca, ou de tortilha, mas não faz uso de óleo. À base de polvilho azedo, ou goma como chamamos em Manaus. Na verdade, vem da fécula da mandioca, ou aipim. Mas em Manaus, é macaxeira. É alimento de baixo custo, saboroso, rápido e fácil de fazer. Aceita muitos complementos deixando-o mais completo e convidativo para se comer.

Ingredientes: polvilho azedo; sal; manteiga; coco ralado; queijo ralado. Modo de fazer: existem dois (2) modos de iniciar: 1 deixe o polvilho descansar dentro d’água por 4 dias; em seguida escorra a água totalmente e enxugue-o com um pano de prato; passe o polvilho na peneira com auxílio de uma colher, preferencialmente de madeira, ou com a mão. 2 umedeça o polvilho com água salpicada, passe na peneira mexendo com colher de madeira ou com a mão; em seguida, leve ao fogo espalhando-o uniformemente sobre uma frigideira quente; Vire-a jogando para cima ou com auxílio de instrumentos de cozinha para tostar os dois lados.

Com a “mão na massa”, passando o polvilho na peneira para em seguida coloca-lo na frigideira quente.

Complementos (ingredientes opcionais); adicionando coco ralado salpicando com água de coco; com o mesmo coco ralado e leite condensado; queijo ralado na tapioca quente e dobrando para fechar as bordas; goiabada amassada; ameixa preta précozida etc. Outras opções: ovo mexido; molho de siri; legumes, verduras refogadas, cogumelos etc.

PÃO INTEGRAL DE FÔRMA

Ingredientes: farinha de trigo branco; farinha de trigo integral; (ou centeio); schrot; gérmen de trigo; semente de linhaça (estes devem antes receber água fervente durante 20 minutos); fermento biológico; sal; opcionais que podem ser adicionados à massa: castanha do Pará; castanha de caju (ralados); uva passas; etc

Modo de fazer: começando pelas farinhas, deposite os ingredientes numa vasilha apropriada: (farinhas, fermento, sal, e por último o que ficou na água quente); mexa bem e em seguida amasse (sovando bem); adicione, se quiser, os complementos opcionais; coloque a massa na forma untada em azeite e deixe crescer (importante); asse em forno (quente) por 50 minutos. Obs: Considere a quantidade dos ingredientes de acordo com o nº de pães que pretende obter; retire do forno e deixe esfriar antes de guardar;

ALGUMAS RECEITAS COM PEIXE

SOPA 

Ingredientes: filé de pescada, pescadinha branca, bagre, cavala, robalo, mandi, etc; cebola, alho, tomate, salsão, cebolinha; batata salsa; uma batata doce; sal; farinha de mandioca.

 Modo de fazer: frite cebola numa panela e acrescente alho, tomate e o salsão picado; engrosse o molho com farinha de mandioca deixando-a crescer em água fria; coloque as batatas para refogar; continue apurando o molho; para diluir, utilize sempre água quente; coloque os filés já cortados e salgados; deixe cozinhar e retire do fogo preservando a consistência de mingau; antes de servir, adicione a cebolinha picada, mas deixe sem tampa; sirva quente com pão integral ou torrada, vinho etc;

FILÉ ASSADO (pescada, abrothéa, cação, etc).

 Lave o peixe e deixe escorrer a água; aplique um limão e passe sal de leve; corte as pontas, pois isso evita o ressecamento; arrume-os na fôrma sobre batata fatiada ou tomates em rodelas; regue com molho de azeite, colorau, ervas, sal, etc; asse em forno brando;

PIRÃO COM O CALDO 

 Com as pontas cortadas: deixe a farinha na água para crescer; frite cebola e alho na manteiga; adicione água quente; coloque a farinha no molho da panela e mexa; deixe apurar um pouco; coloque os pedaços de peixe já salgados; caso engrosse adicione água quente e mexa; a viscosidade ideal é de mingau grosso; após desligar, aceita cebolinha ou salsa cortadas. Sirva quente com azeite de oliva e pimenta.

Com as cabeças: sem as guelras, devem ser cozidas apenas com água e sal. E depois de separar as partes não aproveitáveis (espinhas, ossos, cartilagens etc), junte com o caldo, que deve estar bem quente e finalize o pirão. Deixe sempre ao lado uma vasilha com água quente para acrescentar caso perca o ponto ideal do pirão. Aceita bem azeite de oliva e pimenta.

ANCHOVA, PESCADA, ROBALO, ao forno,

Anchova assada ao forno, regada ao molho de manjericão, colorau e azeite de oliva

Lave em água corrente o peixe limpo, escorra e faça cortes escalados nos dois lados. Passe sal e aguarde. Corte cebolas em rodelas para forrar a vasilha embaixo e também para cobrir em cima. Dentro, ele pode ser recheado com algum verde: salsinha ou cebolinha ou coentro. Faça um molho com azeite, colorau, manjerona, e adicione água morna para regar o peixe com este molho.  Leve ao forno quente mas, deixe ao lado uma reserva de água quente para hidratar a fôrma evitando o ressecamento. Ao final, salpique limão sem excesso.

Apresentação no Museu Oscar Niemeyer 2012 da proposta Encontro reunindo artistas para debater aspectos diversos das relações humanas em especial o ato de se reunir em torno da mesa para comer.

Apresentação no Museu Oscar Niemeyer 2012 da proposta Encontro reunindo artistas para debater aspectos diversos das relações humanas em especial o ato de se reunir em torno da mesa para comer. A ideia promoveu inúmeras considerações relacionadas a experiência de cada um em que quase todos tinham suas famílias e amigo reunidos com frequência.


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